
Corria o corredor cor-de-rosa que se desenha em curvas rectilíneas e já ouvia o gargalhar das vossas bocas e o lacrimar dos vossos olhos. Cortasse-me o coração ao ver-vos chorar e o mesmo acontece quando são cinco e meia e tenho de me vir embora. Hoje já me conhecem a voz, já choram quando me vou embora e correm para o meu colo assim que me sento no chão; respiram fundo quando lhes faço festinhas do nariz e lhes sussurro no ouvido "não chora bebé"..
Amo como se fossem meus irmãos as crianças que tenho em mãos; mas amo mesmo. Se pudesse, tinha uma casa grande com uma piscina de bolas gigante para as ver rir a toda a hora! oh, quem me dera ter uma casa grande..
Patrícia, 1 de Março de 2010
(faixa etária: 0-17 meses)
Tive quatro experiências diferentes, mas todas elas gratificantes.
Fui recebida com olhares curiosos, mas sempre com sorrisos largos. Por entre escorregas, lanches, triciclos, bicicletas, correrias, sorrisos, alegria, plasticina, livros e brinquedos fui convivendo com algumas daquelas crianças com histórias de vida que fogem da realidade a que todos nós estamos habituados.
Logo com a primeira visita, consegui perceber a carência afectiva daquelas crianças e a diferença que um simples beijo na face, um abraço ou um colo podem fazer.
Percebi que é realmente uma grande experiência dar algo tão simples como um afecto a quem tanto precisa e receber em troca um sorriso verdadeiro e inocente.
Marta Piscarreta
(período em que ocupou salas com diferentes faixas etárias)
Nas minhas idas ao refúgio, tenho-me divertido e aprendido muito com as crianças. É curioso como podem ser tão novos e terem tanto para ensinar.
Uma das experiências que mais gostei foi, tanto na sala dos mais pequenos como na sala dos mais crescidos, os desenhos e os trabalhos manuais que eles faziam. É também muito importante frisar o trabalho que as educadoras e auxiliares exercem, visto que é um trabalho muito cansativo.
Tenho gostado muito desta experiência e espero poder continuar, mesmo depois do ano lectivo acabar , a contribuir de todas as formas possíveis para o bom funcionamento do refugio e, em particular, para a felicidade das crianças.
Francisca Coutinho
(período em que ocupou salas com diferentes faixas etárias)
Uma vivência que já mais vou esquecer.
Do lado de fora, não temos noção do que é aquela casa “cor-de-rosa”, um conjunto surpreendente de pessoas, desde psicólogos, às educadoras, às funcionárias, aos colaboradores, aos voluntários, todos fazem o seu melhor, para que aquelas crianças tenham uma vida melhor, uma vida que jamais teriam oportunidade de ter. Aquele refugio, a casa e a família de todos, a vida de muitos.
Esta experiência insubstituível e inexplicável, para qual não tenho palavras, mas que por mim se descreve num momento: Após um comportamento menos próprio e indisciplinado por parte de uma criança, já com 6 anos, é repreendido pela educadora de infância, a qual lhe explica que aquela não é a solução e que não se deve agir daquele modo, dizendo-lhe incansavelmente como deveria proceder. No entanto o olhar disperso e revoltado no rosto daquela criança era evidente. A sua educadora agarra-lhe docilmente na cara e olhos nos olhos com uma força interior inquestionável diz-lhe: “Não entendes? Eu faço isto porque te amo. Eu Amo-te!”. Algo que me marcou…
Não tenho dúvidas se há motivos pelos quais devemos viver, este é um deles. Não para ver as razões pelas quais aquelas crianças precisam de lá estar, mas para ver que estão lá, por mais verdade que seja que não deviam necessitar, infelizmente precisam, e felizmente têm essa oportunidade, a oportunidade de ter uma vida melhor ou simplesmente uma Vida.
Mas, por mais palavras que use a verdade é que jamais serão caracterizadoras do que vivi e muito menos substituíveis, substituíveis por um Sorriso, por um Abraço, por uma Imagem, por Um Mundo de Afectos.
Ana Melo
(Faixa Etária: 5 - 6 anos)
"Aquelas gargalhadas, aqueles momentos únicos!"
"Choros, risos, dentadas, empurrões..." Tudo momentos que só quem passa por eles consegue perceber o quanto aquelas crianças precisam de alguém que lhes dê afecto.
Andreia Pires
(faixa etária: 2-3 anos)